segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

De Presidente à bufão - no Manhattan Connection.


Saudações.
Depois de Presidente, bufão.
Em entrevista concedida ao "Manhattan Connection" (GNT), FHC e sua arrogância divagaram sobre Lula e Dilma.

"Eu mudei o Brasil. Sem falsa modéstia (ho-ho-ho). O Brasil era um antes da consolidação da economia e passou a ser outro. Fiz um governo de mudanças profundas. O presidente Lula aproveitou a economia e os programas que criamos, para expandir. Mas acredito que muito foi mérito dele também" - disse FHC.
Ainda bem, Fernandinho!

Sobre Dilma Roussef o ex-presidente foi ainda mais longe.
Com a ajuda de Diogo Mainardi - diretamente de Veneza (que chique!) - FHC tentou ser engraçado:
"É uma dificuldade minha, você sabe que eu sou curto em inteligência (jura?!). A Dilma, às vezes, não termina um raciocínio. E eu não tenho imaginação suficiente para entender o que ela diz."

Pois é, senhor Presidente.
Imaginação você realmente nunca teve.
Nem no escuro do apagão sua imaginação funcionou.
(ou alguém já se esqueceu do APAGÃO TUCANO?!)
Talvez isso explique porque, sob seu governo, o país tenha retrocedido em diversos aspectos sociais, submetendo as classes C, D e E da população brasileira à marginalidade e à miséria desassistida - e o país a um papel de subserviente na política externa.

Sobre as redes de relacionamento FHC disse que não usa Facebook e Twitter.
"Estou fora desse jogo de prestígio".
Fiquei pensando....quantos seguidores ele teria?
E quem o seguiria?
E pra onde?
Achei melhor desligar a TV e ir dormir afinal a segunda-feira não me perdoaria.

Só pra terminar:

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Videla condenado.

Saudações.
O ex-ditador argentino Jorge Videla (1976-81)
foi condenado nesta quarta-feira (22/12/2010) à
prisão perpétua.
O general da reserva foi considerado culpado pela morte de opositores e outros crimes contra a humanidade, em um julgamento contra 30 líderes do regime militar.

Um dia antes, Videla chegou a assumir a responsabilidade por crimes políticos cometidos durante a "Guerra Suja", na última ditadura militar (1976-1983). Videla fez a declaração ao final de um julgamento sobre o fuzilamento de 31 presos políticos em Córdoba.

"- Assumo plenamente minhas responsabilidades.
Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens."

Videla é acusado desses crimes junto a outros 29 militares. No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá "sob protesto a injusta condenação que possam me dar".

Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas "não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de [Antonio] Gramsci" (teórico marxista italiano).

O período conhecido como Guerra Suja provocou a morte de 30 mil opositores, segundo ONGs de direitos humanos. Muitas das vítimas eram mulheres grávidas, cujos bebês foram adotados pelos militares, dando origem aos grupos Mães da Praça de Maio e Avós da Praça de Maio, que ainda buscam informações sobre milhares de desaparecidos.

A democracia foi restaurada em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín, após a grave crise na qual se meteram os militares por conta da Guerra das Malvinas (1982).

O ex-ditador já havia sido condenado à prisão perpétua num histórico julgamento dos comandantes militares em 1985, mas recebeu indulto alguns anos mais tarde, pelo então presidente Carlos Menem (1989-1999).

O perdão foi anulado pela Corte Suprema em 2007 e, desde então, contra Videla, foram somada várias causas por crimes de lesa-humanidade, durante a ditadura.

Para homenagear essa data histórica
sugiro a canção "
Todo Cambia", de Mercedes Sosa,
"
a voz dos sem-voz".



domingo, 19 de dezembro de 2010

Violência contra homossexuais.

Violência contra homossexuais.
Por Drauzio Varella.

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?
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"Não seria o caso de os diretores de escolas públicas ou privadas do segundo grau, assim como os reitores dos cursos superiores determinarem que o referido texto seja lido ou distribuído aos respectivos alunos no início de cada ano letivo? Tenho a certeza de que, sua audição ou leitura irá contribuir positivamente para estimular reflexões e facilitar a compreensão do comportamento homossexual, tornando os homens menos agressivos e mais tolerantes no tratamento do tema.
Até porque – como observa com argúcia o autor – mais cedo ou mais tarde iremos nos convencer de que não se pode negar, às pessoas do mesmo sexo, viver em uniões estáveis, com os mesmo direitos das uniões heterossexuais.
E isto, pelos mais elementares princípios de justiça social"
(Zelmo Denari/Via Política)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NÃO AO AI-5 DIGITAL.

Saudações.

Enquanto todos prestávamos atenção às eleições as Comissões de Segurança Pública e de Constituição e Justiça da Câmara, de modo silencioso e premeditado, concederem parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

O projeto, que prevê entre outros absurdos que os provedores de conteúdo sejam responsáveis pela guarda dos registros de navegação dos usuários e que haja uma flexibilização nas regras de obtenção desses registros, ou seja, a pessoa poderá ter seus dados divulgados à polícia ou ao Ministério Público sem a necessidade de uma ordem judicial, segue, então, sua marcha protecionista e autoritária rumo ao plenário, aguardando talvez somente mais um momento de descuido para que se torne lei.

O projeto também dificulta a atividade das lan houses e inviabiliza a existência de redes abertas, pois exige a identificação de cada usuário conectado à internet.

Sem rede aberta, assistimos a tentativa de transformar a internet em algo somente para ricos e poderosos.

Por que deixaremos de ter rede aberta?
A quem interessa a aprovação desse projeto?

É claro que existem crimes na internet, mas colocar todas as questões no mesmo bojo só piora a situação e acaba por prejudicar ostensivamente a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável.

Pela garantia da expansão do conhecimento e da criatividade, pela democratização da Internet e pela verdadeira liberdade, NÃO AO AI-5 DIGITAL, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Liberdade de imprensa para todos e já!

“A liberdade de imprensa é uma consequência necessária da soberania do povo como ela é compreendida na América” (Alexis de Tocqueville em "A democracia na América", de 1835).

Saudações.

Divulgar documentos secretos do governo dos EUA, primeiro sobre a agressão no Oriente Médio e, agora, desvendando a arrogância e prepotência da diplomacia dirigida por Hillary Clinton.

Esse foi o crime do portal WikiLeaks.

A solução, como de costume, veio através da calúnia, do uso da força e da coerção de Washington sobre os servidores de Internet.

Para Chomsky "a diplomacia dos EUA não é honesta nem confiável".

Acrescente "hipócrita" a essa definição - ou alguém aí já se esqueceu que no começo deste ano, quando o portal de buscas Google entrou em conflito com o governo da China ao infringir as leis desta nação, a secretária de Estado Hillary Clinton parecia indignada quando pregava a plena liberdade da internet em todo o mundo?

A liberdade de imprensa é uma conquista da democracia moderna. É um princípio que precisa ser defendido pelos trabalhadores e pelos democratas de todas as partes. Nas condições atuais, uma enorme restrição a ela é o domínio da mídia por grandes monopólios, que enredam jornais, revistas, rádio e televisão numa espúria teia de interesses que enlaça governos conservadores e os interesses do grande capital e transformam suas publicações em instrumentos de manipulação política.

Nos EUA localizam-se os principais servidores da internet. Usando a “liberdade de imprensa” no sentido restritivo indicado por Benjamin Franklin (para quem “a liberdade de imprensa é a liberdade de quem tem uma (prensa)”, o governo de Washington confirma ser uma ameaça para a livre manifestação do pensamento e para a liberdade de publicação em todo o mundo.

Subordinar publicações na internet aos interesses geopolíticos dos EUA e para ocultar seus segredos de Estado passa a ser uma nova modalidade de ameaça à democracia que se junta às outras que, de lá, infelicitam o mundo – como as agressões militares, pressões econômicas, restrições políticas etc.

Onde estão os “campeões” da liberdade de imprensa quando o governo de Washingon investe contra a difusão de documentos incômodos?

Esses mesmos “campeões”, quando se trata de governos como os de Hu Jintao, Mahmoud Ahmadinejad, Fidel Castro, Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Lula ou a candidata Dilma Rousseff, são implacáveis defensores da divulgação de qualquer segredo, mesmo aqueles inventados pela própria conspiração midiática. E, quando estes governos se defendem das mentiras e calúnias veiculadas pela mídia patronal, são acusados de ameaçar a liberdade de imprensa. Onde está a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e sua afetada indignação quando a restrição à publicação de documentos parte de Washington?

O espaço da liberdade na rede mundial é aquele que caminha junto aos interesses das potências, das elites, das grandes corporações e interesses, ou pelo menos não os confronta diretamente de forma global.
Voltem-se contra esses senhores e tornem-se inimigos públicos número 1 da liberdade, da democracia e dos valores.

Liberdade de imprensa para todos e já!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Brasil reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Saudações.
Em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a região oriental de Jerusalém, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Desde então extende-se uma lastimável guerra entre judeus e palestinos que, entre outras coisas, esbarra em interesses geopolíticos dos Estados Unidos.

Quarta-feira passada, dia 01/12/2010, em nota assinada pelo Presidente Lula, o representante da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, foi oficialmente comunicado sobre a posição brasileira de reconhecer o Estado palestino nas fronteiras de 1967.

"A decisão não implica abandonar a convicção de que são imprescindíveis as negociações entre Israel e Palestina, a fim de que se alcancem concessões mútuas sobre as questões centrais do conflito", destaca a nota, que diz ainda que "(a decisão) está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967."

Desde 1975 o governo brasileiro reconhece a OLP como "legítima representante do povo palestino". Em 1993, o Brasil abriu sua primeira sede diplomática em território palestino, cujas atribuições foram equiparadas às de uma embaixada cinco anos depois - só agora o país assume oficialmente sua posição quanto aos territórios em questão.

Assim, o Brasil soma-se a uma lista de mais de 100 países que reconhecem o Estado palestino que inclui todos os árabes, a grande maioria da África, boa parte dos asiáticos e alguns do leste da Europa. China, Rússia e Índia também fazem parte deste grupo.

O porta-voz oficial do departamento de Assuntos Relacionados com a Negociação da OLP Organização para a Libertação da Palestina, Xavier Abu Eid, afirmou que outros sete países latino-americanos se mostraram dispostos a reconhecer a independência palestina nas fronteiras de 1967 no momento adequado e espera que a decisão do Brasil dê origem a uma onda de reconhecimentos latino-americanos, como a que houve após 1988 (por ocasião da Declaração de Independência Palestina) em outras partes do planeta.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ingrid Pitt - 21/11/1937 - 23/11/2010.

Saudações.
Lamentável a recente perda de Ingrid Pitt.
(21/11/1937 - 23/11/2010)
Do alto de seus 73 anos a atriz polonesa, imortalizada por suas atuações em clássicos ingleses do horror entre as décadas de 60 e 70, personificava com beleza e talento a nobre arte que existia por trás das sombras e maquiagens num tempo em que os tão falados "efeitos especiais" não passavam de
fumaça, gelo seco e sangue falso.

De sua vasta filmografia destacam-se os clássicos "O homem de palha" (1973), "Carmilla, a vampira de Karnstein" (1970) e "Countess Dracula" (1971).

Compartilho aqui, em homenagem à "primeira-dama do horror inglês", "O homem de palha" ("The Wicker Man", 1973), longametragem baseado no romance "The Ritual", de 1976, de David Pinner. Tanto a investigação policial quanto a oposição entre cristianismo e paganismo são mera cenografia para que beldades como Britt Ekland, Diane Cilento, e especialmente Ingrid Pitt, desfilem a maldade que se esconde por trás da beleza feminina.
"O homem de palha" é tido como o 'Cidadão Kane' dos filmes de terror - aliás, "Folk Terror", por favor. Uma sequência para esse filme é esperado para 2011 mas, não sei porquê, isso não chega a me empolgar..

Link retirado de www.theultimate.com.br.

sábado, 27 de novembro de 2010

Pelo fim do oligopólio da mídia brasileira.

"Você pode transmitir ou publicar o que quiser e, se isso ferir a lei, será responsabilizado depois.
A regulação, quando feita da maneira correta, é uma maneira de proteger a liberdade de expressão."
Eve Salomon,
consultora da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Saudações.
REGULAMENTAÇÃO.
Palavrinha simples que tem tirado o sono de muitos conglomerados midiáticos brasileiros.
Marinhos, Frias e cia tremem só de pensar no que isso implicaria.
E contra-atacam acusando tal medida de autoritária e censória.

Mas REGULAMENTAÇÃO NÃO É CENSURA.
Perguntem aos cidadãos do Reino Unido, da França e do Canadá,
entre muitos outros, e eles lhes explicarão, pois lá a REGULAMENTAÇÃO JÁ EXISTE!
(e ninugém os acusa de ditadores e censores)

O Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência, recentemente em Brasília, tentou acalmar a opinião pública quanto ao direito inviolável à liberdade de expressão, mas os jornais e tevês brasileiras voltaram a bater na tecla da censura, em mais uma tentativa de iludir e conduzir o povo na direção de seus interesses.

Pra quem não sabe a tal REGULAMENTAÇÃO visará estabelecer obrigações, e não proibições, em termos de conteúdo, como por exemplo a proteção da língua, da cultura nacional e das crianças e menores de idade.
Na verdade as “nove ou dez famílias” que controlam a comunicação no país (para usar as palavras do presidente Lula) temem mesmo é que o projeto do governo represente desconcentração do setor.

Recentemente a consultora da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) Eve Salomon, que estudou a situação do sistema de radiodifusão brasileira por um ano para propor diretrizes para uma regulação de mídia, declarou:

"Quando se fala em regulação no Brasil, sempre surge um temor de que acabe se chegando a algum tipo de censura — daí a dificuldade de debater isso no País. Regulação e censura não têm qualquer relação. Para começar, em bases bem simples, censura significa impedir que alguma coisa seja transmitida ou impressa. A regulação nunca olha alguma coisa antes, apenas depois de ser transmitida. Você pode transmitir ou publicar o que quiser e, se isso fere a lei, ser punido depois.
A regulação, quando feita da maneira correta, é uma maneira de proteger a liberdade de expressão. Isso não é apenas garantir o direito de dizer o que você quer, mas também o direito dos cidadãos de receber o que eles precisam para operar em uma democracia. É preciso respeitar a privacidade das pessoas, não transmitir mensagens de ódio, é preciso proteger as crianças e garantir que as notícias sejam acuradas. Esses são os princípios básicos que estamos propondo para o Brasil, nada mais."

Faço minha estas palavras.

domingo, 21 de novembro de 2010

A revista VEJA e o ABORTO (quando e como lhe convém).


Saudações.

Em 2005 a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que
a cada ano ocorrem no mundo mais 87 milhões de casos de gravidez indesejada.
Deste total, entre 46 a 55 milhões de casos resultam em abortos.
No mesmo documento chegou-se ao número de 126 mil interrupções voluntárias da gravidez por dia, ou seja, um aborto a cada 24 segundos.
78% desses abortos ocorrem em países em desenvolvimento.
18 milhões de mulheres abortam de forma clandestina a cada ano,
e cerca de 13% da mortalidade materna no planeta decorre de abortos malsucedidos.

No Brasil 10% das gestações terminam em aborto.
Segundo dados do mesmo ano (2005) fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
e pelo Ministério da Saúde
ocorrem cerca de 1,5 milhões de abortos a cada ano.
3,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos já abortaram ,
o que corresponde a 7,2% do total de mulheres em idade reprodutiva.

Número que deve ser bem maior se pensarmos que
só se procuram os serviços de saúde pública quando algo da errado.

Apesar da enorme frequência de abortos no país, o Código Penal Brasileiro prevê uma pena de 1 a 10 anos de detenção, de acordo com a situação, como punição para o aborto.
Pela lei, a interrupção não natural da gravidez pode ocorrer apenas em duas situações: quando houver risco de morte para a gestante ou a gravidez for resultante de estupro.

Uma pesquisa coordenada por Débora Diniz, antropóloga da Universidade de Brasília (UnB), e Marilena Corrêa, médica sanitarista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apontou que cerca de 70% das mulheres que abortam tem entre 20 e 29 anos e possuem uma união estável. Essas mulheres têm até oito anos de estudo e a maioria trabalha e é católica. A maior parte delas possui, pelo menos, um filho (entre 70,8% e 90,5%) e é usuária de métodos contraceptivos (principalmente a pílula anticoncepcional).

Entre 50,4% e 84,6% das mulheres que interrompem a gravidez utilizam o misoprostol (conhecido popularmente como Cytotec), um medicamento vendido ilegalmente em todo o país.

Segundo uma pesquisa de 2007, realizada pelo Datafolha, a maioria dos entrevistados (65%) é contrária a mudanças na atual legislação sobre o aborto e que cerca de 16% são favoráveis a uma expansão na legislação. Apenas 10% dos entrevistados afirmam que o aborto deveria ser descriminalizado, algo que já ocorre em 97 países, que reúnem cerca de 66% da população mundial.

Passadas as eleições, a discussões sobre o aborto podem e devem retornar à ordem do dia, através de um debate público sério e consciente.
No início do mês a revista eletrônica "Ciência Hoje", da SBPC, publicou o artigo “Aborto no Brasil: mortes em silêncio”, de Jerry Carvalho Borges, da Universidade Federal de Lavras (http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/aborto-no-brasil-mortes-em-silencio).
O texto traça um panorama dos casos de interrupção da gravidez, seus impactos na saúde pública, a descriminalização dessa prática no país e as divergências sobre o início da vida.

O autor defende que, nos últimos anos, o aborto se converteu em um problema da ordem da saúde pública mundial, pois os casos de interrupção de gravidez, por meios legais ou ilegais, são cada vez mais frequentes. A situação se reflete no crescimento no número de mortes e sequelas em mulheres que buscam, na ilegalidade, alternativas para driblar a proibição do aborto.

O debate sobre a ampliação do direito ou descriminalização do aborto é complexo
e esbarra na questão religiosa.

Mas a Constituição Brasileira afirma que
o país é laico e é responsável pelo bem-estar dos indivíduos.

Outro ponto polêmico diz respeito ao momento em que se inicia a vida:

durante a fecundação (1º dia de gestação),

com o surgimento da atividade neuronal, na 4ª semana após a fecundação,

a partir de 25 ou 27 semanas, quando o feto adquire capacidade de sobreviver de forma independente (desde que sob cuidados médicos),

ou ainda após o parto, quando, segundo as leis brasileiras, o indivíduo adquire direitos básicos como o registro civil?

Devemos refletir sobre o inegável e legitimo direito à informação que as milhares de cidadãs que optam por essa decisão merecem,
sem hipocrisia, nem oportunismo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Brasil e a Guerra Cambial.

Saudações.
Liguem as tvs, leiam os jornais, ouçam as rádios, acessem os portais e você será atropelado por uma série de notícias tratando da tal "Guerra Cambial", a maioria delas apontando para o "câmbio artificial" chinês como o grande vilão dessa história. Bem, é verdade que a taxa de câmbio chinesa fortalece suas exportações mas não são os chineses quem sugerem a política monetária brasileira e sim as “forças do mercado”.

A armadilha da “macroeconomia da desindustrialização”, ou seja, o crescimento alimentado pelas altas taxas e com grande decréscimo em investimento, é obviamente a ante-sala do inferno, incapacitando qualquer país de reagir em casos como o que assolou a Europa (principalmente Espanha e Grécia) nos anos 90.

Outro fator preocupante é a política de juros ortodoxa praticada pelo Banco Central brasileiro, coisa que qualquer leitor de pasquim (FSP) sabe.

Mas uma coisa tem sido omitida: 
a Guerra Cambial foi oficialmente deflagrada
quando os Estados Unidos resolveram "exporta" a sua crise interna.

Isso mesmo!
Quando os Estados Unidos passaram a ministrar bilhões de dólares para tentar salvar grandes bancos e agentes financeiros acabou por elevar - e muito - seus déficits públicos. Sua necessidade de importar, aliada a gastos militares que passam da casa de U$ 1 trilhão ao ano, impele o governo estadunidense a encomendar mais e mais levas de impressões de dólares, que na ponta do processo resulta numa superliquidez internacional e ondas especulativas sobre países de livre circulação de capitais como o Brasil.
O resultado é a grande valorização de moedas como o real em relação ao dólar e consequentemente a perda de competitividade industrial, abrindo nova quadra no já citado processo de desindustrialização.

Nessa grande disputa internacional estão em jogo os grandes interesses hegemônicos das grandes potências imperialistas, sobretudo dos Estados Unidos.
Eles querem empurrar o peso da crise, ônus das suas retomadas de desenvolvimento econômico nos ombros dos países em desenvolvimento, que melhor saíram da recessão criada por eles.


Portanto é uma disputa que tem lado: 
ou o lado dos países em desenvolvimento da chamada periferia, 
ou o lado dos EUA. 
Não existe um “terceiro lado”, uma terceira alternativa.

Ao Brasil cabe enfrentar a “Guerra Cambial”
resguardando o interesse nacional com a proteção da economia e da moeda do país e administrar as flutuações do câmbio com a finalidade de alcançar uma taxa capaz de beneficiar o processo de industrialização estabelecendo limites e prazos para a entrada e saída de dólares do país, por exemplo, e reduzir a taxa de juros ao patamar da média dos demais países emergentes para que o Brasil deixe de ser um atrativo especial, é claro.
Tornar mais onerosas e com regulamentação restritiva as operações cambiais no mercado futuro e outras operações financeiras com contratos e derivativos, fortalecer o Fundo Soberano do Brasil e utilizá-lo na ação governamental contra a volatilidade cambial, preservar as contas externas da vulnerabilidade combatendo o crescimento do déficit em transações correntes, incentivar o uso de outras moedas que não o dólar nas relações comerciais com outras nações e articular ações com outros países em desenvolvimento (para que a unidade desse campo tenha força política internacional capaz de impedir a investida das grandes potências imperialistas, em especial dos Estados Unidos) também são outras medidas a serem pensadas para o nosso país.

Outra colocação muito importante:
o Brasil não pode se utilizar de espaços em fóruns internacionais para se fazer paladino do “politicamente correto” em matéria de comércio internacional (por exemplo, “denúncia” do protecionismo chinês, dando o "nosso exemplo" de câmbio e juros pautados pelo livre mercado). Neste caso o “politicamente correto” é imposto pelo imperialismo como em 1979, quando Paul Volcker – então presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central Americano), de forma unilateral elevou os juros americanos, empurrando para os países devedores o pesado ônus de suas dívidas externas. É preciso colocar o dedo na ferida dos verdadeiros responsáveis por esta insanidade econômica, notadamente os Estados Unidos.

Privatizar o lucro e socializar os prejuízos sempre foi a saída das elites,
mas não dessa vez.

(obs.:  texto foi baseado nas recentes opiniões de
Renato Rabelo, Presidente nacional do PCdoB,
com as quais eu concordo em gênero, número e grau)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Censura Nunca Mais?

Apelou por quê, dona Folha?

Postagem originalmente publicada no blog o Estranho Mundo de Mary por HellRaiser.

Saudações, mortais desse Estranho Mundo.

Seria cômico se não fosse trágico.
No dia 30 de setembro de 2010 a Folha de São Paulo - aquela que se diz guardiã da imparcialidade, da Democracia, liberdade de expressão e da opinião pública - movimentou seu escritório de advocacia - através da advogada Taís Borja Gasparian - para acionar judicialmente a página do Falha de São Paulo, site-paródia que utilizava-se do humor para fazer uma crítica ao jornalismo do grupo do senhor Otávio Frias Filho. Acusando a Falha de "ilícita utilização da marca, do conteúdo e do domínio, causando explícita e intencional confusão", a Folha quis dizer que a intenção da página era confundir incautos visitantes e levá-los a crer que as críticas inteligentes e cheias de humor contra o jornalão eram, na verdade, produzida pela própria Folha.
Oras, bolas!
É como processar os humoristas-imitadores, os papais-noéis de shoppings, os artistas da Paixão de Cristo, as bandas e artistas cover, os torcedores que usam camisetas de seus times do coração, os atores que encenam peças baseadas em personagens reais por falsidade ideológica!
agora a Folha vem com essa história de censurar?!
Dá um tempo, dona Folha!!
Por essas e outras nós do EMM
não nos sentimos representados pela grande mídia (rádio, tv, jornais, portais etc),
somos contra qualquer tipo de censura
e apoiamos o FALHA DE SÃO PAULO
"nesse duelo entre os marimbondos e o rinoceronte", como disse Eduardo Galeano no Fórum Social Mundial de 2001.

FAÇA O DOWNLOAD DA ÍNTEGRA DO PROCESSO

FAÇA O DOWNLOAD DA ÍNTEGRA DA DEFESA

sábado, 6 de novembro de 2010

@mayarapetruso: "Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!"

Saudações.
E Serra fez o pior para o Brasil!
Graças ao seu discurso preconceituoso, retrógrado, conservador e de baixíssimo nível, o candidato do PSDB ateou fogo à fogueira das vaidades dos paulistas. Pregando que o resultado final das eleições deu-se graças aos votos desquallificados dos nordestinos (que, segundo seu pensamento elitista, não sabem votar), Serra incitou a elite pseudo-pensante de São Paulo a manifestar toda sua ignorância preconceituosa contra um dos principais responsáveis pela importância que o estado de São Paulo tem hoje: o povo nordestino.

Através do Twitter, centenas de miolo-moles seguiram a marcha contra os nordestinos beirando ao absurdo de:

"@mayarapetruso:
Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!"


Ao que parece, fraca mesmo é a sociedade paulista que não enxerga um palmo - nem pra frente nem pra trás - de sua história (tanto é assim que reelegeu o tucanato pra mais 4 anos de desmandos) e que embarca no discurso cheio de rancor e sem fundamento das elites políticas brasileiras que ainda não se acostumaram a amargar a oposição.

Leia mais sobre isto aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Três mitos sobre a eleição de Dilma - Marcos Coimbra.

Três mitos sobre a eleição de Dilma
Marcos Coimbra, 31 de outubro de 2010.

Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa.

Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.
Sim e não.
Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.

Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.

Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.

O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.

Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”
É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.

Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”

Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.

É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.
Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.

Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).

A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.

Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.

Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.

Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.

As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.

Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.

O “paternalismo” O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.

Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.

As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.

Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.

É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.

Marcos Coimbra
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

sábado, 23 de outubro de 2010

Serra + Azeredo = AI-5 DIGITAL.

Saudações.
Chega a ser constrangedora a performance da coligação demotucana.
Calúnia, difamação e injúria são nomes refinados demais para as armações, apelações e todo baixo-nível apresentado por Serra e os seus.
Mas deixando o que todos estão vendo, vamos aos fatos.

Este alerta nos foi dado pelo tovarish Joe Unabomber,
camarada de longa e BRABA jornada pela blogosfera:

quem navega pela Internet - principalmente pelos blogs independentes - ainda deve se lembrar do famigerado "AI-5 DIGITAL", projeto que pretendia criminalizar a troca de arquivos e acabar com a privacidade dos internautas (tudo, é claro, travestido de boas intenções e valores burgueses).

Pois bem.
O autor da proposta foi o senador Eduardo Azeredo, do PSDB.
Para ele o caso era de extrema urgência e só não foi protocolado "à canetada" graças à mobilização dos internautas e de alguns deputados (a maioria de esquerda, diga-se de passasgem: pensem nisso antes de saírem por aí dizendo que político é tudo igual..) que exigiram que a proposta tramitasse pelas comissões para esclarecimentos e definições.

Enfim, pelo projeto que está hoje tramitando quando um provedor detectar que um usuário trafegou muito em um determinado período poderá inferir que este usuário está baixando vídeos e músicas e terá a obrigação de apresentar uma denúncia. Com base nesta denúncia, sem necessidade de ordem judicial, todo o tráfego de dados do usuário será entregue ás autoridades.

Desestatizante, privatizador, burgês e, ainda, CRIMINALIZANTE.
Essa é o jeito demotucano de fazer política.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Quando a realidade é mais estranha do que a ficção.

Quando a realidade é mais estranha do que a ficção.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Esse som vai para os irmãos e irmãs do MST: "People of the sun" - Zack de la Rocha.


Saudações.
O Rage Against the Machine é uma banda que mistura Rock e Política de uma forma explosiva. Engajado em diversas frentes pelo mundo, no Brasil - antes de se apresentar no SWU - Zack de la Rocha (vocalista) recebeu militantes do MST e declarou:

"O MST tem uma experiência muito importante de solidariedade humana e na criação de espaços fora do modelo capitalista, e é muito importante para muitos de nós que, nos EUA, estamos lutando pelas mesmas coisas. Eu acho que MST já criou um exemplo maravilhoso de luta por justiça social e econômica, é um grande exemplo para nós"

Parte do cachê que a banda recebeu será doada ao Movimento - a quem foi dedicado a música "People of the Sun", durante a apresentação da banda. Como prova da aliança, Tom Morello (guitarrista) usou um boné do MST durante a música "Wake Up" (e no bis foi executado "A Internacional - em russo!

Coincidentemente, nesse exato momento, a transmissão que a Globo fazia ao vivo da apresentação foi interrompida.

Paranóia?!



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dois projetos políticos muito distintos para o Brasil.

Saudações.

Basta de hipocrisia!
Temas conservadores e sob a ótica retrógrada
da sociedade classe-média-burguesa-moralista-cristã brasileira,

como a legalização do aborto,
a descriminalização da maconha,
o reconhecimento da união civil entre homossexuais,

não me interessam.

O que está em jogo são
os dois projetos políticos para o Brasil.

Desgastados pelo discurso de que a política social dos anos Lula era
"esmola", "assistencialismo populista" etc etc,
a frente conservadora agora quer convencer de que os aspectos positivos do governo Lula foram conquistados por eles: tanto a política econômica, como a social,
esta supostamente iniciada por Ruth Cardoso.

Economicamente falando:
os anos FHC foram responsáveis por três grandes crises que repercutiram muito nos 50,9% de rejeição que o presidente tucano tinha ao final de seu mandato.
O Brasil era mais desigual, mais injusto, mais concentrador de renda e de poder.
O Brasil devia ao FMI e se submetia aos desmandos internacionais (hoje o Fundo Monetário Internacional deve ao Brasil e Lula - por mais que não queiram - é figura importante na política de soberania nacional).
Com apoio dos banqueiros (FEBRABAN) FHC privatizou estatais estratégicas e não fez investimentos básicos, semeando o que aflorou como "o Apagão".


Socialmente falando:
FHC criou míseros 800 mil empregos (frente às 14 milhões de carteiras assinadas no período Lula). O salário mínimo mal dava para comprar uma cesta básica ( hoje ele pode comprar duas e ainda sobra algum dinheiro, ou seja, o valor real do salário mínimo mais que dobrou). Além disso, FHC enfraqueceu o Estado em áreas cruciais como saúde, educação, segurança, sem contar a criminalização dos movimentos sociais (MST e UNE que o digam!).

Para evitar comparações,
os demotucanos esconderam Fernando Henrique
e até tentaram associar a imagem do candidato oposicionista à do Presidente Lula.


Munidos de discursos pseudo-moralistas

(já que foi José Serra, enquanto Ministro da Saúde, que aprovou o uso da “pilula do dia seguinte” e normatizou o aborto nos casos previstos em lei),

de uma horda de conservadores que vai dos pastores-capitalistas à TFP/Opus Dei
- passando pelas elites, é claro -

a direita brasileira vai distorcer e esquivar-se de comparações reais,
apelando para a ficção dos discursos vintage de que

"comunistas querem dominar o mundo, proibir as religiões, tomar nossas casas, violar nossas mulhers e devorar nossas criancinhas".
Do outro lado estão os fatos e a base de apoio à candidatura Dilma,
tendo como figura de frente o Presidente Lula, seus 80% de aprovação e apenas 4% de rejeição.

Fato.
(texto autoral e não expressa a opinião de ninguém além da minha - Hellraiser)

sábado, 2 de outubro de 2010

Tentativa de golpe no Equador

Saudações.

Mais uma tentativa de golpe contra um país da Aliança Bolivariana (Alba) atenta contra a integração latinoamericana e o avanço dos processos de revolução democrática.

A direita está no ataque.

Seu êxito em 2009 em Honduras contra o governo de Manuel Zelaya encheu-a de energia, força e confiança para poder arremeter contra os povos e governos de revolução na América Latina.

As eleições do domingo, 26 de setembro, na Venezuela, apesar de que resultaram vitoriosas, principalmente para o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), cederam espaço às mais reacionárias e perigosas forças de desestabilização que estão a serviço dos interesses imperiais. Os Estados unidos conseguiram colocar suas peças chaves na Assembleia Nacional da Venezuela, dando-lhes uma plataforma para avançar com seus planos conspirativos para socavar a democracia venezuelana.

No dia seguinte às eleições na Venezuela, a líder pela paz na Colômbia, Piedad Córdoba, foi desabilitada como Senadora da República da Colômbia pela Procuradoria Nacional, baseando-se em acusações e evidências falsas. Porém, o ataque contra a Senadora Piedad simboliza um ataque contra as forças do progresso na Colômbia que buscam soluções verdadeiras e pacíficas ao conflito de guerra em que vivem por mais de 60 anos.

E agora, na quinta-feira, 30 de setembro, o Equador amanheceu sob golpe. Policiais insubordinados tomaram várias instalações na capital, Quito, criando caos e pânico no país. Supostamente, protestavam contra uma nova lei aprovada pela Assembleia Nacional na quarta-feira passada, que, segundo eles, recortava seus benefícios trabalhistas.

O Presidente Rafael Correa, em uma tentativa de resolver a situação, dirigiu-se à polícia insubordinada; porém, foi atacado com objetos contundentes e bombas de gás lacrimogêneo, causando-lhe um ferimento na perna e asfixia devido ao gás. Foi trasladado ao hospital militar na cidade de Quito, onde, em seguida foi sequestrado e mantido à força, sem poder sair.

Enquanto isso, movimentos populares tomavam as ruas de Quito, reclamando a libertação de seu presidente, reeleito democraticamente no ano passado com uma imensa maioria. Milhares de equatorianos levantaram sua voz em apoio ao presidente Correa, tentando resgatar sua democracia das mãos de forças golpistas que buscavam provocar a saída forçada do governo nacional.

Apesar dos acontecimentos, há fatores externos envolvidos nessa tentativa de golpe, que movem de novo suas peças.

Organizações financiadas pela USAID e NED pedem a renúncia do presidente Correa, apoiando o golpe de Estado promovido por setores da polícia equatoriana, profundamente penetrada pelos Estados Unidos.

Segundo o jornalista Jean-Guy Allard, um informe oficial do Ministro da defesa do Equador, Javier Ponce, difundido em outubro de 2008, revelou que "diplomatas estadunidenses se dedicavam a corromper a polícia e as forças armadas".

O informe afirmou que unidades da polícia "mantêm uma dependência econômica informal com os Estados Unidos, para o pagamento de informantes, capacitação, equipamento e operações".

Em resposta à informação, a embaixadora dos Estados Unidos no Equador, Heather Hodges, declarou: "Nós trabalhamos com o governo do Equador, com os militares e com a polícia para fins muito importantes para a segurança", justificando a colaboração. Segundo Hodges, o trabalho com as forças de segurança do Equador está relacionado com a "luta contra o narcotráfico".

A Embaixatriz Heather Hodges foi enviada ao Equador, em 2008, pelo então Presidente George W. Bush. Anteriormente, teve uma gestão exitosa como embaixatriz na Moldávia, país socialista que antes fazia parte da União Soviética. Na Moldávia, deixou semeada a pista para uma "revolução de cores", que aconteceu, sem êxito, em abril de 2009, contra a maioria eleita do Partido Comunista, no Parlamento.

Hodges esteve à frente do Escritório de Assuntos Cubanos, como Subdiretora em 1991, divisão do Departamento de Estado, que se dedica a promover a desestabilização em Cuba. Dois anos depois, foi enviada a Nicarágua para consolidar a gestão de Violeta Chamorro, presidente selecionada pelos Estados Unidos, após a guerra suja contra o governo sandinista, que saiu do poder em 1989.

Quando Bush a enviou ao Equador era com a intenção de semear a desestabilização contra Correa, no caso de que o presidente equatoriano se negasse a subordinar-se à agenda de Washington. Hodges conseguiu incrementar o orçamento da USAID e NED para organizações sociais e grupos políticos que promovem os interesses dos Estados Unidos, inclusive no setor indígena.

Ante a reeleição do presidente Correa, em 2009, baseada na nova Constituição aprovada em 2008 por uma maioria contundente de equatorianos/as, a Embaixada começou a fomentar a desestabilização.

A guia utilizada na Venezuela e em Honduras se repete. Tentam responsabilizar ao Presidente e ao governo pelo "golpe", forçando sua saída do poder. O golpe contra o Equador é a próxima fase da agressão permanente contra a Alba e os movimentos revolucionários na região.

Porém, o povo equatoriano se mantém mobilizado em rechaço à tentativa golpista, enquanto as forças progressistas da região se agrupam para expressar sua solidariedade e respaldo ao presidente Correa e ao seu governo.

sábado, 25 de setembro de 2010

O que representa esta derrota da direita - Emir Sader.

O que representa esta derrota da direita.
por Emir Sader.

A direita tinha sido vitoriosa ao longo da história brasileira, desde 1964.
Nesse momento interrompeu um governo que democratizava o país do ponto de vista econômico, social e político, incentivava a consciência nacional e a identidade cultural brasileira, para instaurar uma ditadura militar, que promoveu o maior processo de concentração de renda que o Brasil já tinha conhecido.

Esgotada a ditadura, a direita conseguiu limitar os alcances da democratização, que reinstaurou um regime político liberal, mas sem afetar os pilares das relações de poder no Brasil:

não foi democratizada a posse da terra,

o poder dos bancos,

das grandes corporações,

da mídia.

Esgotado também o impulso democratizador, durante o governo Sarney, foi implementado o modelo neoliberal, primeiro com Collor e depois, diante da queda deste, no governo Itamar, com FHC.
Nova e grande vitória da direita, ainda mais que conseguiu que algum proveniente da oposição à ditadura se responsabilizasse por impor esse modelo – que caracteriza a direita no mundo contemporâneo.

O triunfo de Lula, caso este tivesse sido cooptado e mantido o modelo herdado de FHC, teria sido também outra vitória, indireta, com a mão do gato, para a direita. Se a versão da ultra esquerda tivesse sido certa, o Lula teria revigorado o neoliberalismo, dando-lhe umas mãos de cal de políticas assistencialistas e controlando o movimento popular. Teria sido o melhor administrador do neoliberalismo.

Mas a realidade não foi essa.

O modelo foi readequado, o Estado retomou sua função de indutor do crescimento econômico, que foi recolocado em pauta, depois de ter sido abolido pelo governo FHC. Instaurou-se ao longo do mandato do Lula um modelo de desenvolvimento econômico e social, alterando,
pela primeira na história brasileira,
a desigualdade social – e de forma significativa.

A política externa assumiu a soberania nacional como principio fundamental, deslocou o eixo das alianças do norte para o Sul do mundo, privilegiando em particular os processos de integração regional e contribuindo para a construção de um mundo multipolar.

A direita conseguiu sobreviver com o governo Lula, seus interesses não foram profundamente afetados, mas perderam o manejo direto do Estado, das estatais, a promiscuidade com a presidência e viram, ao contrário dos seus gostos, o Estado utilizar recursos para políticas sociais, desenvolver relações de fraternidade política com países vizinhos, limitar o espaço do mercado, amplamente estendido na década anterior.

A direita econômica prefere o Serra, mas sem o extremismo da direita política. De qualquer forma, ambas serão derrotadas com a vitória da Dilma e de um projeto nacional, de uma sociedade de inclusão, de um governo para todos. Estavam acostumados a se valer do Estado a seu bel prazer para seus próprios interesses.

A direita partidária e midiática – hoje confundida – é a maior derrotada.

Perdeu capacidade de influência, sai com os seus partidos e seus órgãos da imprensa reduzidos à sua mínima expressão. Ainda mais que, os órgãos da mídia, depois do ano de Copa do Mundo e de eleições e da nova crise de legitimidade destas eleições, depois da descida para a metade da tiragem em uma década, devem ter outra queda grave, com a conseqüente crise financeira.

Os partidos opositores sofrerão uma grande crise de identidade, devendo se diferenciar entre os negociadores – tipo Aécio – e os extremistas, como o DEM e políticos remanescentes como Tasso Jereissatti, deslocados pela derrota e pelo sucesso do governo Lula.

Sofrem este ano a maior derrota política em décadas, com perspectiva de um lento e prolongado processo de recomposição, que ainda não parece delinear o perfil novo que venham a assumir.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Carlos Lamarca - Capitão e Guerrilheiro.

Saudações.
17 de setembro de 1971.
Após dias de caçada humana no sertão baiano, a repressão encurrala e executa a sangue-frio em Ipupiara o capitão-guerrilheiro Carlos Lamarca.
Na mesma ação, José Campos Barreto, também militante do MR-8, foi abatido.
Lamarca, que havia aderido à luta contra a ditadura militar, era capitão do Exército. Deixou o quartel de Quitauna, em São Paulo, levando consigo um considerável estoque de armas e munições, no dia 24 de janeiro de 1969. Militar competente e exímio atirador, logo tornou-se uma verdadeira lenda da luta armada, e um dos adversários mais temidos pelas Forças Armadas e pela ditadura. Lamarca deu as costas aos militares e à repressão anti-democrática, anti-nacional e anti-popular da ditadura de 1964. Foi um dos dirigentes da luta contra estes militares e seu governo fascista. Mais do que isto - e este é outro "crime" imperdoável para a direita: ele tinha inscrito, em sua bandeira, a palavra de ordem da luta pelo socialismo. A direita distorce a verdade para tentar passar a imagem, que a ditadura difundiu, de que se trata de um "terrorista" que teria sido morto em combate. Não foi: como inúmeros outros heróis do povo brasileiro, Lamarca pagou com a vida a ousadia de sonhar com um futuro de progresso, liberdade e soberania nacional. Foi, ele sim, assassinado; foi baleado friamente por seus perseguidores ao ser surpreendido sem condições de se defender, fugia a pé, mal armado, exausto, doente e faminto, quando foi encontrado descansando sob um arbusto, no município de Pintada, no sertão baiano. Ele e seu companheiro José Campos Barreto (Zequinha), foram friamente mortos a tiro.
Por isso, neste dia 17 de setembro, prestamos nossa homenagem ao capitão Carlos Lamarca e à Liberdade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MPF emite parecer acusando TV Globo e Clube dos 13 de prática de cartel

O Ministério Público Federal (MPF) foi consultado pelo Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e emitiu parecer contra o Clube dos 13 e a TV Globo. O órgão público entende que as partes praticam o cartel na negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

O processo já tramita no Cade desde 1997 e cita até o SBT, que não entrou na briga pelos direitos de TV nas duas últimas negociações trienais. Com o parecer do MPF desta quarta, o Cade pode recolocar o assunto em sua pauta. Até o fim do ano, o órgão pode definir uma pena para a Globo ou o Clube dos 13.

A reportagem procurou o Clube dos 13 e a Rede Globo. A entidade esportiva não quis comentar o caso, enquanto a emissora, por meio da Central Globo de Comunicação, argumentou que "não se manifesta sobre processos em andamento".

O grande ponto questionável, segundo o MPF, é a cláusula de preferência da Rede Globo, que tem sempre o direito de igualar a proposta das rivais. Segundo Marcus da Penha, procurador regional da República e representante do MPF no Cade, o sistema não é legal.

“A prática teve efeitos anticompetitivos. O Clube dos 13 e a Globo limitaram e prejudicaram a livre concorrência ao usar a cláusula de preferência”, disse o procurador, em nota divulgada no site oficial do MPF.

Desde que o processo foi iniciado no Cade, outras empresas também reclamaram do sistema. A Record, por exemplo, abandonou a negociação de 2008 por entender que o C13 dava preferência à Globo, fato negado pela entidade.

A próxima negociação de direitos de TV do Campeonato Brasileiro está marcada para o primeiro semestre de 2011, quando serão acertados contratos dos próximos três anos. Em entrevista ao UOL Esporte, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, adiantou que não quer que a Globo mantenha a exclusividade nos contratos.

Além disso, o dirigente disse que pretende dividir as propriedades de negociação do torneio. Dessa forma, diferentes emissoras poderiam comprar os direitos de TV aberta, TV fechada, pay-per-view, celular, internet, etc. Essa é outra crítica do MPF. Segundo o órgão, os direitos têm de ser negociados em três produtos diferentes, o que não acontecia quando a ação entrou em trâmite no Cade.

FONTE : UOL ESPORTE

sábado, 11 de setembro de 2010

O desespero demo-tucano - por Hellraiser.


Saudações.
Antes de tudo quero deixar bem claro que
esta postagem de hoje só expressa
única e exclusivamente a minha
- HELLRAISER -
opinião sobre os fatos recentes.

Nem os responsáveis pelo TALO DA BRABERA,
nem os demais colaboradores podem, portanto,
ser cobrado por esse conteúdo.

Opiniões (favoráveis ou não)
encaminhem para mim.
Obrigado.

Muito se tem dito sobre a possibilidade de um novo governo que transforme de modo mais rápido e efetivo (pra melhor) a realidade brasileira.
Sim. Também penso que as mudanças poderiam ter ocorrido mais rápido. Mas não me esqueço que antes essas mesmas lentas e graduais mudanças nem sequer eram cogitadas.
E um povo miserável não pode esperar.

A política neo-liberal demo-tucana,
baseada nas privatizações e no descaso do Estado principalmente com as necessidades sociais de um povo que marchava velozmente pra baixo da linha da pobreza, não pode voltar!

Posso entender quem prefere outra opção de esquerda
- uma mais radical, outra mais revolucionária -,
e até compreendo quem entende que o sistema está errado e nunca vai mudar e, portanto, prefere não participar.
Acho todas essas opiniões válidas e conscientes.
Mas assistir ao desespero de um candidato prestes a ser derrotado chega a ser patético.

Dossiês aos montes - mas onde estão que não são publicados?
(lembrem-se que até os documentos dos EUA no Iraque já vazaram..)

Denúncias às dezenas - mas e as provas?
(não seria - no mínimo - falta de ética acusar sem tê-las?)

A mesma mídia que cria as manchetes aludindo aos temas
não se preocupa em checar tais denúncias.
Por que?

Será que a manchete vende mais do que a notícia?
Resposta: sim.

Será que à mídia interessa a desinformação?
Resposta: sim.

Será que a mídia tem interesses num possível segundo-turno
(ou ainda, num tão sonhado governo Serra)?
Resposta: me parece que sim.

Então, se você - como eu - estiver estarrecido
com a quantidade de denúncias e acusações
faça um favor a você mesmo e procure saber
quantas denúncias têm fundamento e
quantas são meras especulações,
nuvens de fumaça para encobrir o que realmente importa:
a opção do brasileiro por um modelo político
muito diferente do demo-tucano.

Obs.: só pra constar, compartilho aqui a notícia veiculada hoje,
11 de setembro de 2010,
na página do Correio do Estado:
"Brasil está próximo do menor nível de desigualdade desde 1960"

(Hellraiser)

sábado, 28 de agosto de 2010

Divulgação: Plebiscito pelo Limite da Propriedade da Terra.

Saudações.
A Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra pretende mobilizar a sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite as propriedades rurais em 35 módulos fiscais. O plebiscito popular está marcado para ocorrer entre 1 e 7 de setembro em todo o país, organizado por diversas entidades dos movimentos sociais.

No intuito de crescer a divulgação da campanha, a organização lançou um vídeo que pode ser conferido abaixo.



Além do vídeo e da realização do plebiscito na primeira semana de setembro, a campanha organiza também um abaixo-assinado virtual, cujo texto garante que "a proposta não ofende nenhum princípio constitucional, pelo contrário, se adeqüa perfeitamente ao que estabelece a Constituição (art. 3º) quando inclui entre os objetivos da República Brasileira a construção de uma sociedade justa e solidária e a redução das desigualdades sociais".

Mais informações:
http://www.limitedaterra.org.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Sávio Bones e uma frente que aglutine a esquerda.


Saudações.
Uma frente plural, um instrumento de mobilização, unificação e organização da população, uma frente que aglutine a esquerda, partidária ou não, negando a divisão que só interessa aos manipuladores das elites. Essa é a opinião do jornalista, assessor sindical e diretor do Instituto 25 de Março, Sávio Bones que concedeu uma interessante entrevista ao repórter Nilton Viana, do site Brasil de Fato, em 05/07/2010 - transcrita na íntegra.

Brasil de Fato – Em 2008, o capitalismo, com a crise financeira iniciada nos EUA, abalou todo o mundo e deu sinais de que o sistema entraria em colapso total. Atualmente, a Grécia é a bola da vez, gerando impactos em toda a Europa. Que avaliação você faz da crise?

Sávio Bones – O capitalismo vive uma crise estrutural que se já se arrasta desde a década de 1970. O neoliberalismo foi uma tentativa de superá-la e inaugurar um novo período de prosperidade. As dificuldades dos tempos atuais mostram que esse período foi de curta estabilidade e vem chegando ao fim. Tanto em 2008, como recentemente, o que verificamos foram manifestações conjunturais da crise, ou seja, são agudizações, picos de um fenômeno muito maior e de longa duração. A primeira teve como epicentro os EUA e a segunda é a crise na União Europeia e não de um ou outro país.


Creio que é preciso evitar duas posições: uma, bem ao gosto conservador, trata as manifestações da crise como fenômenos desconexos, que devem ser equacionados em cada momento; outra, apocalíptica, enxerga em cada espasmo o anúncio do colapso total do capitalismo, que ruiria por si só.


Como vimos recentemente, o imperialismo, os grandes conglomerados monopolistas-financeiros, os Estados e outros centros estruturadores do capital construíram mecanismos e medidas de controle e redução de danos, que diminuem no curto prazo os efeitos, embora sejam inúteis como respostas duradouras.


Creio que não há o que comemorar nas manifestações da crise, afinal, quem mais padece são as classes trabalhadoras. A nós cabe buscar caminhos de combate à crise que abram possibilidades para as grandes e decisivas transformações sociais, indispensáveis para o atendimento das necessidades e anseios dos grandes contingentes populares.



O capitalismo utiliza cada vez mais a repressão, a violência e a barbárie. Esses mecanismos são essenciais para a sustentação do atual modelo?

São, como sempre foram. A repressão às lutas populares, sob o Estado burguês e sua democracia, sempre existiu aberta ou velada, institucionalmente ou não. A história da América é repleta de exemplos de alternância de momentos de maior liberdade e outros de terrorismo de Estado. No Brasil de hoje presenciamos uma alteração nos padrões repressivos, que passam a contar com amparo legal e legitimidade no interior da sociedade, fruto de uma correlação de forças ainda desfavorável.



Marx continua atual como referencial analítico para o atual estágio do capitalismo?

Marx formulou uma síntese filosófica de validade permanente e uma doutrina social insuperável enquanto durar a sociedade capitalista. São dele também os elementos basilares do processo de superação da ordem do capital e de construção de um novo mundo, possível e necessário, baseado na “livre associação de homens livres”. O pensamento de Marx, hoje e mais do que nunca, é a base intelectual para quem busca superar a pré-história da Humanidade.



O atual estágio de desenvolvimento capitalista tem colocado novas formas de produção, um novo mundo do trabalho, alteração das relações sociais etc. A esquerda, na sua avaliação, tem se colocado à altura desse “novo mundo”?

Há um endeusamento das mudanças promovidas pelas novas tecnologias e formas de organização do trabalho. É bom destacar que nenhuma delas foi capaz de mudar as condições estruturais do capitalismo e superar o ponto sobre o qual se ergue a sociedade capitalista: a exploração do trabalho pela extração de mais-valia, baseada na produção socializada nos marcos da apropriação privada dos meios de produção.


As várias transformações não eliminaram a centralidade do trabalho ou o proletariado como quer a cultura chamada de pós-moderna. O que houve foi, por exemplo, uma alteração no perfil do proletariado e do conjunto das classes trabalhadoras. Assistimos hoje a uma proletarização crescente de vários segmentos – como, por exemplo, dos camponeses e dos trabalhadores em serviços. Presenciamos uma necessidade de qualificação profissional cada vez maior, um estoque brutal de trabalho sobrante, uma precarização das relações trabalhistas. Nesse “museu de grandes novidades” é preciso reafirmar a centralidade do trabalho e retomar a crítica ao capitalismo a partir da realidade concreta das pessoas, reencontrar a imaginação perdida na formulação de táticas e mediações, adotar atitudes próprias para o momento e, sobretudo, enterrar a fragmentação e a divisão. Tudo isso com um objetivo: voltar a encantar multidões e promover a autoconfiança e a unidade das camadas populares para que elas possam descortinar por elas mesmas um caminho novo.



Os instrumentos políticos da esquerda, principalmente os partidos políticos, ao seu ver, têm sido capazes de fazer frente à atual realidade brasileira?

Apesar de fragmentadas, até agora, as organizações do campo popular, incluindo aquelas de caráter partidário, movimentos, centrais, fóruns, assembleias, resistiram e têm sobrevivido aos tempos de defensiva.


Já o potencial transformador dos partidos que surgiram ou se reconstruíram no ocaso da ditadura militar esgotou-se. Os partidos de massas – que não podem ser confundidos com partidos com base de massas – não encarnam mais uma alternativa das mudanças estruturais na sociedade. Os partidos que mantêm o horizonte revolucionário não têm conseguido aglutinar forças capazes de reordenar as várias vertentes da esquerda e impulsionar uma aliança política ampla e uma nova alternativa de massas.


Creio que o recente ciclo da esquerda brasileira encerrou-se. O próximo período exige passos concretos para equacionar alguns dos pontos que nos têm aprisionado. Um deles é enfrentar e resolver, teórica e praticamente, o problema político e a necessidade estratégica da unidade popular no Brasil. Já passou da hora de ter responsabilidade e coragem para construir uma frente de unidade popular no Brasil.



Esse ano teremos eleições no Brasil. Como você vê o cenário eleitoral brasileiro?

Basicamente, são três campos em disputa: a oposição de direita, arraigada à ortodoxia neoliberal, apresentou a candidatura de José Serra e tem no PSDB-DEM seu eixo articulador. O situacionismo social-liberal tem Dilma Rousseff como candidata, está reforçado pelo PMDB e conquistou apoio de setores populares organizados, inclusive de esquerda. Esses dois lados adversários estão polarizando a disputa. Entre os dois está a candidata do PV, Marina Silva, que não constitui um campo próprio. O oposicionismo de esquerda é o terceiro campo e tem reduzida inserção social e pouca densidade eleitoral. A construção das candidaturas deixou clara a divisão no seu interior. Plinio Arruda Sampaio aparece como o candidato que reúne as melhores possibilidades para combater a oposição de direita, apresentar propostas avançadas de interesse dos trabalhadores e defender posições que acumulem para a unificação das forças populares. Não por acaso, já recebeu o apoio da Refundação Comunista e da Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes. O quadro de candidaturas só reforça a necessidade de uma frente que aglutine a esquerda, partidária ou não. Esta divisão só interessa aos nossos inimigos e aos nossos adversários.



Em entrevista ao Brasil de Fato, o jornalista José Arbex Jr. Defendeu a criação de um novo partido, instrumento político, impulsionado pelo movimentos sociais. Como você vê essa proposta?

Arbex manifestou uma interrogação de vários segmentos da esquerda: como superar a dispersão e abrir um novo caminho no Brasil? Para mim, está claro que o caminho da esquerda brasileira é negar a divisão, perseguir uma aliança popular ampla e aceitar o desafio de arquitetar o novo. É construir uma frente plural, um instrumento de mobilização, unificação e organização da população. Um espaço de unidade das lutas populares e uma alternativa também para as disputas eleitorais. Um movimento que arranque conquistas, que alargue a influência das ideias progressistas e avançadas, que se imponha na disputa contra-hegemônica e que deixe explícita a ideia de ruptura com a situação vigente. Uma aliança ampla entre partidos, correntes, agrupamentos, movimentos, fóruns, assembleias, setores religiosos, dirigentes políticos, intelectuais e personalidades identificados com os anseios nacionais, democráticos e populares. Uma frente que se abra à adesão e à fi liação massiva de militantes e ativistas, bem como de todas as pessoas que se identificarem com seu programa e sua plataforma de reivindicações.



Como você avalia que deva ser um instrumento político que seja capaz de fazer frente ao atual estágio do capitalismo no Brasil?

Uma unidade popular orgânica baseada num programa de luta social por reformas profundas, de caráter anti-imperialista, antimonopolista e antilatifundiário. Um programa que aprofunde a soberania e equacione as questões nacionais pendentes. Que combata os oligopólios financeiros. Que avalize o alargamento das liberdades e dos direitos democráticos. Que garanta o desenvolvimento econômico e a elevação do nível de vida do povo e o bem estar das grandes maiorias. Que realize a reforma agrária, a democratização da cultura e a correta relação com o meio ambiente. Que lute pela eliminação de todas as formas de discriminação. Enfim, que promova o progresso social do país e aponte para o socialismo. Uma frente de esquerda pelo conteúdo programático, pela composição social, pela abordagem das diversas formas de luta e pelas formas de organização e não pela simples autoafirmação.


O centro das ações da frente popular é o combate radical às políticas neoliberais e atitudes governamentais antipovo, em defesa dos interesses econômicos e sociais, imediatos e permanentes, dos assalariados, dos desempregados, dos camponeses, dos segmentos médios e pequeno-burgueses em contradição com o grande capital, das mulheres, da juventude, dos setores discriminados, da intelectualidade libertária e dos demais segmentos explorados e oprimidos.


Do ponto de vista da organização, os partidos, movimentos e setores que participarem da aliança poderiam manter seus instrumentos e estruturas funcionando normalmente, assumindo apenas o compromisso de construir a frente como um fórum de unidade popular e de divulgar suas ideias e propostas. Penso num funcionamento baseado no consenso nas questões importantes e na rejeição da disputa interna permanente como método de decisão.


A unidade popular não tem receita, mas exigirá, sobretudo, determinação. É no próprio movimento de construção da frente que serão superadas as dificuldades previsíveis. A experiência, a formação e a inventividade de quadros e militantes serão adquiridas e lapidadas enquanto a frente se constrói.


Fico imaginando o espectro político do jornal Brasil de Fato envolvido numa empreitada dessa. Na força que tem a militância partidária, da Consulta, da Assembleia Popular, da Via Campesina e de outras organizações juntas. Nos milhares de dirigentes, militantes e ativistas hoje incomodados, insatisfeitos e desmobilizados. No contingente da população ainda presa ao passado, mas aberta para o futuro. Imagine esta gente promovendo debates, encontros e reuniões. Discutindo pontos programáticos e ações comuns. Dirigentes, militantes e personalidades reconhecidos percorrendo o Brasil, mobilizando as pessoas e reacendendo a esperança perdida. Construindo uma opção orgânica que significa o novo encarnado na unidade popular. Mexeríamos ou não com a pasmaceira e a mesmice que assola o país? Enfrentaríamos nossos inimigos de forma mais radical e, fundamentalmente, iríamos voltar a ser perigosos.



Você acha que o Programa Democrático Popular construído pelo PT em 1986 ainda está atual?

Um programa democrático e popular não é patrimônio de qualquer partido ou movimento. É fruto das necessidades históricas, das lutas e dos acúmulos teóricos e políticos de nossa gente. Enquanto o povo não conquistar autonomia em relação ao imperialismo e aos monopólios, não realizar as reformas democráticas – como, por exemplo, a reforma agrária – e não criar condições para melhorias substanciais na vida das grandes maiorias, as transformações democráticas e populares estarão na ordem do dia.