sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Perda natural supera crise financeira


Começo o debate com essa figura. Afinal, vende-se? A resposta mais óbvia para um conservacionista é negativa, argumentando sempre que é inestimável. Sobre isso, o post de hoje tem como objetivo ajudar a enxergarmos por outras perspectivas. O fato meus amigos, é que vende-se sim, e tem um valor intrínseco perfeitamente calculável, mas que ninguém sequer se deu conta das proporções gigantescas de que estamos tratando.

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Artigo de apoio, adaptado de: http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7662565.stm

A economia global está perdendo mais dinheiro devido à devastação de florestas do que através da atual crise financeira, de acordo com um estudo patrocinado pela UE.

Calcula-se que o custo anual de perdas florestais varie entre 2 a 5 trilhões de dólares. (Rup: O pacote econômico proposto pelo governo Bush pra recuperar o estrago da crise ao longo de vários anos foi de ''apenas'' 700 bilhões de dólares.

O cálculo se fez adicionando valores aos vários ''serviçoes prestados'' por uma floresta, como prover água limpa e absorver dióxido de carbono. (Rup: Devido ao mercado de carbono em alta, a captura de dióxido de carbono realmente tem um preço fixo.)

O estudo, encabeçado por economista do Deutsche Bank, também faz um paralelo com o Relatório Stern sobre os impactos econômicos da mudança climática global.

Alguns conservacionistas vêem-no como uma nova maneira de persuadir a política global para financiar a proteção da natureza ao invés de permitir o declínio do número de ecossistemas e espécies, destacados no lançamento na segunda-feira da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. (Rup: Embora eu creia que quanto menor o bem-estar econômico, mais se aumenta a voracidade em transformar reservas naturais em recursos financeiros.)

Perdas de Capital

O líder do estudo, Pavan Sukhdev enfatizou que o custo da devastação não só supera as perdas do mercado financeiro como também ocorre de forma contínua, a uma taxa anual muito superior ao que a bolsa vem perdendo ao longo da crise:

''Enquanto que Wall Street, através de vários cálculos perdeu de 1 a 1,5 trilhão de dólares, a realidade é que a taxa de perda de capital natural é de pelo menos algo entre 2 a 5 trilhões de dólares.

Teeb vai... mostrar que os riscos que corremos não são adequados ao verdadeiro valor implícito na natureza"
Andrew Mitchell
Global Canopy Programme
A primeira fase, concluída em Maio, quando a equipe divulgou a descoberta de que o declínio florestal por estar custando cerca de 7% da soma dos PIBs mundial, abriu espaço para a espansão do projeto, que consistirá em analisar o potencial econômico de outros sistemas naturais.


Mensagem do Stern

Para entender suas conclusões, é fundamental associar a destruição das florestas com a interrupção de serviços que estava sendo providenciados essencialmente de graça.

Ou seja, a economia humana terá que providencia-los artificialmente, seqüestrando carbono, contendo a erosão, reciclando a água e plantando alimentos que antes estavam naturalmente disponíveis.

Se não temos a natureza para nos auxiliar, logo, teremos um custo financeiro.

Segundo os cálculos da Teeb, o custo dispara desproporcionalmente sobre os pobres, em que grande parte do seu estilo de vida depende direta ou indiretamente desses serviços, especialmente em regiões tropicais. (Rup: Principalmente por que o investimento tecnológico para se conter o prejuízo talvez seja incalculável para essas populações.)

Leia mais no link (em inglês)

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Rup: Basicamente, essa tese confirma a necessidade de se calcular os prejuízos antes de buscar os benefícios. Coisa que certamente o Brasil não vem fazendo ao longo de sua história, ao buscar o lucro imediato sem ter idéia do quanto perderá no futuro.

Sendo chato ou não, é óbvio que isso põe novamente em cheque a necessidade de se utilizar grandes quantidades de terras agricultáveis apenas para manter a produção de carne. E visto que sua produção é drasticamente menos eficiente que as proteínas vegetais, será que estamos calculando ignorando os custos gigantescos do prejuízo apenas para por o filé no prato? É algo a se pensar.

Sobre a amazônia: (clique para ampliar)


Em 2050, 40% da floresta amazônica terão sido destruídos pela expansão da pecuária e do cultivo de soja, incluindo dois terços de cobertura florestal de seis importantes rios e de 12 ecorregiões; essa devastação lançará na atmosfera um volume equivalente a quatros anos de emissões de carbono em todo o mundo. Ou não. Tudo vai depender da estratégia de conservação adotada nos próximos anos. É o que mostra uma série de simulações computacionais realizadas por instituições nacionais e estrangeiras e coordenadas pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/4296

Um comentário:

BlackHammet disse...

O_O CARALHO

Bom, sexta agitada, não da tempo de "ruminar" esse post pra poder comentar decentemente, então deixo para outra hora.