terça-feira, 29 de março de 2011

Bolsonaro e o nazifascismo tupiniquim.

Saudações.
É fácil entender quem vota no Tiririca.
Difícil é entender quem vota no Bolsonaro!

sábado, 26 de março de 2011

Saudações.
E o Obama amarelou!
O Mr.President pretendia discursar num megaevento na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Acontece que o local escolhido pelo representante ianque foi palco de históricos protestos em defesa da democracia e da soberania nacional, ou seja, reduto de esquerdistas e antiamericanistas ferrenhos.
Não deu outra.
Em pouco tempo circulavam pela Internet convocações para o evento visando protestar contra Obama e sua política imperialista estadunidense que deixou a esperança morrer.
O alerta foi dado pela CIA e o MR. President acatou na hora.
É a mobilização via Internet, de Seattle'99 à Cinelândia'11!

sábado, 19 de março de 2011

19/03/2011 - EUA, Itália, Inglaterra e França começam o ataque.

Obscenas imagens que, sem nenhuma palavra, dizem muito sobre o mundo.

Seria irônico, se não fosse trágico.
Um dia antes do aniversário da invasão norte-americana ao Iraque, em 2003, o exército dos Estados Unidos se juntou à intervenção militar internacional na Líbia (neste sábado, 19/03) e lançou uma série de mísseis Tomahawks contra o território líbio.

Obama, em visita ao Brasil, por mensagem, declarou:
"Autorizei hoje o início de uma intervenção militar na Líbia, com o intuito de proteger civis.
Ela agora está em andamento."

Antes dele a França já havia bombardeado o território de Kadafi e a Real Força Aérea Britânicajá havia sido orientada para fazer o mesmo. A Itália também enviou jatos para vôos de reconhecimento e ofereceu a base da OTAN (Organização do tratado do atlântico) para ser o centro de comando da operação. Catar e Emirados Árabes Unidos aguardam ordems para aderir às ações.

Por que ninguém diz abertamente o que está por trás de mais essa intervenção?

A Líbia ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da África e tem a mais alta expectativa de vida do continente. A educação e a saúde recebem especial atenção do Estado. O PIB per capita é de 13,8 mil dólares, o crescimento em 2010 foi de 10,6%, a inflação de 4,5%, a pobreza de 7,4% e a colocação no IDH é 53º (Brasil é 73º) todos esses índices melhores que o do nosso Brasil.
O país dispunha de vultosos ingressos, provenientes da venda de petróleo de alta qualidade, e de grandes reservas em divisas depositadas em bancos das potências européias e Estados Unidos, e com isso podiam adquirir bens de consumo e até armamento sofisticado, fornecido exatamente pelos mesmos países que hoje planejam invadi-lo em nome dos direitos humanos.

Ao se aproximar das potências ocidentais, Kadafi cumpriu rigorosamente suas promessas de desarmamento e ambições nucleares. Com isso, a partir de outubro de 2002, iniciou-se uma maratona de visitas a Trípoli: Berlusconi, em outubro de 2002; Aznar, em setembro de 2003; Berlusconi de novo em fevereiro, agosto e outubro de 2004; Blair, em março de 2004; Schröeder, em outubro de 2004; Chirac, em novembro de 2004. Todos exultantes, garantindo o recebimento de petróleo e a exportação de bens e serviços.

Kadafi, de seu lado, percorreu triunfante a Europa. Recebido em Bruxelas em abril de 2004 por Prodi, presidente da União Europeia; em agosto de 2004 convidou Bush a visitar seu país;

Exxon Mobil, Chevron Texaco e Conoco Philips realizavam os últimos acertos para exploração do óleo por meio de
joint ventures.

Em maio de 2006, os Estados Unidos anunciaram a retirada da Líbia dos países terroristas e o estabelecimento de relações diplomáticas.

Em 2006 e 2007, a França e os Estados Unidos subscreveram acordos de cooperação nuclear para fins pacíficos; em maio de 2007, Blair voltou a visitar Kadafi. A British Petroleum assinou um contrato “extremamente importante” para a exploração de jazidas de gás.

Em dezembro de 2007, Kadafi empreendeu duas visitas a França e firmou contratos de equipamentos militares de 10 bilhões de euros. Contratos milionários foram subscritos com importantes países membros da OTAN.

Dentre as companhias petrolíferas estrangeiras que operavam antes da insurreição na Líbia incluem-se a Total da França, a ENI da Itália, a China National Petroleum Corp (CNPC), British Petroleum, o consórcio espanhol REPSOL, ExxonMobil, Chevron, Occidental Petroleum, Hess, Conoco Phillips.

O que se passa para que o
cachorro louco, que se transformara em grande amigo, volte a ser o cachorro louco?

De um lado, a evidência de que as potências hegemônicas tudo farão para não perder o controle dessa vital fonte de energia.

De outro, fatores geoestratégicos. Diante da revolta por mudanças democráticas dos países árabes do Norte da África e do Oriente Médio, é fundamental, no caso da Líbia, ter um governo absolutamente confiável, pressionando o vizinho oriental Egito para manter o tratado com Israel e não partir para políticas que desarrumem todo o contexto regional.

Uma intervenção militar aberta implica que os Estados Unidos, Inglaterra, França e demais países optaram por um dos lados da guerra civil líbia, o que aumentará brutalmente os riscos sobre a população civil que, cinicamente, anunciam que pretendem proteger.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Saudações.
Em recente entrevista concedida à revista Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares mostrou que do alto dos seus 81 anos mantém a língua e o raciocínio afiado. Ciente de que a vontade do presidente dis Estados Unidos, Barack Obama, quase não pesa nas questões cruciais - decididas desde sempre pelo "bloco conservador" dos EUA - definiu assim a passagem do Democrata estadunidense por terras brasileiras: ‘Ele vem cuidar dos interesses americanos. Petróleo, certamente. No mais, fará gestos de cortesia que cabem a um visitante educado’.

Por que Obama se transformou num zumbi da esperança progressista norte-americana?

Os EUA se tornaram um país politicamente complicado... o caso americano é pior que o nosso. Não adianta boas idéias. Obama até que as têm, algumas. Mas não tem o principal: não tem poder, o poder real; não tem bases sociais compatíveis com as suas idéias. A estrutura da sociedade americana hoje é muito, muito conservadora –a mais conservadora da sua história. E depois, Obama, convenhamos, não chega a ser um iluminado. Mas nem o Lula daria certo lá.

Mas ele foi eleito a partir de uma mobilização real da sociedade....

Exerce um presidencialismo muito vulnerável, descarnado de base efetiva. Obama foi eleito pela juventude e pelos negros. Na urna, cada cidadão é um voto. Mas a juventude e os negros não tem presença institucional, veja bem, institucional que digo é no desenho democrático de lá. Eles não tem assento em postos chaves onde se decide o poder americano. Na hora do vamos ver, a base de Obama não está localizada em lugar nenhum. Não está no Congresso, não tem o comando das finanças, enfim, grita, mas não decide.

O deslocamento de fábricas para a China, a erosão da classe trabalhadora nos anos 80/90 inviabilizaram o surgimento de um novo Roosevelt nos EUA?

Os EUA estão congelados por baixo. Há uma camada espessa de gelo que dissocia o poder do Presidente do poder real hoje exercido, em grande parte, pela finança. Os bancos continuam incontroláveis; o FED (o Banco Central americano) não manda, não controla. O essencial é que estamos diante de uma sociedade congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada...

É uma decadência reversível?

É forçoso lembrar, ainda que seja desagradável, que os EUA chegaram a isso guiados, uma boa parte do caminho, pelas mãos dos democratas de Obama. Foram os anos Clinton que consolidaram a desregulação dos mercados financeiros autorizando a farra que redundou em bolhas, crise e, por fim, na pasmaceira conservadora.

Esse colapso foi pedagógico; o poder financeiro ficou nu, por que a reação tarda?

A sociedade americana sofreu um golpe violento. No apogeu, vendia-se a ilusão de uma riqueza baseada no crédito e no endividamento descontrolados. Criou-se uma sensação de prosperidade sobre alicerces fundados em ‘papagaios’ e pirâmides especulativas. A reversão foi dramática do ponto de vista do imaginário social. Um despencar sem chão. A classe média teve massacrados seus sonhos do dia para noite. A resposta do desespero nunca é uma boa resposta. A resposta americana à crise não foi uma resposta progressista. Na verdade, está sendo de um conservadorismo apavorante. Forças e interesses poderosos alimentam essa regressividade. A tecnocracia do governo Obama teme tomar qualquer iniciativa que possa piorar o que já é muito ruim. Quanto vai durar essa agonia? Pode ser que a sociedade americana reaja daqui a alguns anos. Pode ser. Eles ainda são o país mais poderoso do mundo, diferente da Europa que perdeu tudo, dinheiro, poder, auto-estima... Mas vejo uma longa e penosa convalescença. Nesse vazio criado pelo dinheiro podre Obama flutua e viaja para o Brasil.

Uma viagem cercada de efeitos especiais; a mídia quer demarcá-la como um divisor de águas de repactuação entre os dois países, depois do ‘estremecimento com Lula’. O que ela pode significar de fato para o futuro das relações bilaterais?

Obama vem, sobretudo, tratar dos interesses norte-americanos. Petróleo, claramente, já que dependem de uma região rebelada, cada vez mais complexa e querem se livrar da dependência em relação ao óleo do Chávez. A política externa é um pouco o que sobrou para ele agir, ao menos simbolicamente.

E o assento brasileiro no Conselho de Segurança?

Obama poderá fazer uma cortesia de visitante, manifestar simpatia ao pleito brasileiro, mas, de novo, está acima do seu poder. Não depende dele. O Congresso republicano vetaria. Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais.

Lula também enfrentou essa resistência esfericamente blindada, mas ganhou espaço e poder...

Obama não é Lula e não tem as bases sociais que permitiriam a Lula negociar uma pax acomodatícia para avançar em várias direções. A base equivalente na sociedade americana, os imigrantes, os pobres, os latinos, os negros, em sua maioria nem votam e acima de tudo estão desorganizados. Não há contraponto à altura do bloco conservador, ao contrário do caso brasileiro. O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?

A reconstrução japonesa, após a tragédia ainda inconclusa, poderia destravar a armadilha da liquidez que corrói a própria sociedade americana ? Sugar capitais promovendo um reordenamento capitalista, como especula Paul Krugman?

A situação da economia mundial é tão complicada que dá margem a esse tipo de especulação. Como se uma nuvem atômica de dinheiro pudesse consertar uma nuvem atômica verdadeira. Não creio. Respeito o Krugman, mas não creio. O caminho é mais difícil. Trata-se de devolver a nuvem atômica de dinheiro para dentro do reator; é preciso regular o sistema, colocar freios na especulação, restringir o poder do dinheiro, da alta finança que hoje campeia hegemônica. É mais difícil do que um choque entre as duas nuvens. Ademais, o Japão eu conheço um pouco como funciona, sempre se reergueu com base em poupança própria; será assim também desta vez tão trágica. Os EUA por sua vez, ao contrário do que ocorreu na Segunda Guerra, quando eram os credores do mundo, hoje estão pendurados em papagaios com o resto do mundo –o Japão inclusive. O que eles poderiam fazer pela reconstrução se devem ao país devastado?

Muitos economistas discordam que essa nuvem atômica de dinheiro seja responsável pela especulação, motivo de índices recordes de fome e de preços de alimentos em pleno século XXI. Qual a sua opinião?

A economia mundial não está crescendo a ponto de justificar esses preços. Isso tem nome: o nome é especulação. Não se pode subestimar a capacidade da finança podre de engendra desordem. Não estamos falando de emissão primária de moeda por bancos centrais. Não é disso que se trata. É um avatar de moeda sem nenhum controle. Derivam de coisa nenhuma; derivativos de coisa nenhuma representam a morte da economia; uma nuvem nuclear de dinheiro contaminado e fora de controle da sociedade provoca tragédia onde toca. Isso descarnou Obama.

É o motor do conservadorismo americano atual. Semeou na America do Norte uma sociedade mais conservadora do que a própria Inglaterra, algo inimaginável para alguém da minha idade. É um conservadorismo de bordel, que não conserva coisa nenhuma. É isso a aliança entre o moralismo republicano e a farra da finança especulativa. Os EUA se tornaram um gigante de barro podre. De pé causam desastres; se tombar faz mais estrago ainda. Então a convalescença será longa, longa e longa.

Esse horizonte ameaça o Brasil?

Quando estourou a crise de 2007/2008, falei para o Lula: - Que merda, nasci numa crise mundial, vou morrer em outra... Felizmente, o Brasil, graças ao poder de iniciativa do governo saiu-se muito bem. Estou moderadamente otimista quanto ao futuro do país. Mais otimista hoje do que no começo do próprio governo Lula, que herdou condições extremas, ao contrário da Dilma. Se não houver um acidente de percurso na cena externa, podemos ter um bom ciclo adiante.

A inflação é a pedra no meio do caminho da Dilma, como dizem os ortodoxos?

Meu temor não é a inflação, é o câmbio. Aliás, eu não entendo porque o nosso Banco Central continua subindo os juros, ainda que agora acene com alguma moderação. Mas foram subindo logo de cara! Num mundo encharcado de liquidez por todos os lados, o Brasil saiu na frente do planeta... Subimos os juros antes dos ricos, eles sim, em algum momento talvez tenham que enfrentar esse dilema inflacionário. Mas nós? Por que continuam a falar em subir os juros se não temos inflação fora de controle e a prioridade número um é o câmbio? Não entendo...

Seria o caso de baixar as taxas?

Baixar agora já não é mais suficiente. Nosso problema cambial não se resolve mais só com inteligência monetária. Meu medo é que a situação favorável aqui dentro e a super oferta de liquidez externa leve a um novo ciclo de endividamento. Não endividamento do setor público, como nos anos 80. Mas do setor privado que busca lá fora os recursos fartos e baratos, aumentando sua exposição ao risco externo. E quando os EUA subirem as taxas de juros, como ficam os endividados aqui?

Por que o governo hesita tanto em adotar algum controle cambial?

Porque não é fácil. Você tem um tsunami de liquidez externa. Como impedir as empresas de pegarem dinheiro barato lá fora? Vai proibir? Isso acaba entrando por outros meios. Talvez tenhamos que implantar uma trava chilena. O ingresso de novos recursos fica vinculado a uma permanência mínima, que refreie a exposição e o endividamento. Mas isso não é matéria para discutir pelos jornais. É para ser feito. Decidir e fazer.

A senhora tem conversado com a Presidenta Dilma, com Lula?

O governo está começando; é preciso dar um tempo ao tempo. Falei com Lula recentemente quando veio ao Rio. Acho que o Instituto dele está no rumo certo. Deve se debruçar sobre dois eixos fundamentais da nossa construção: a questão da democracia e a questão das políticas públicas. Torço para que o braço das políticas públicas tenha sede no Rio. O PT local precisa desse empurrão. E fica mais perto para participar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Dia Internacional da Mulher.

Saudações..
Proposto em 1910, na 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, organizada por Clara Zétkin (1857-1933) e Rosa de Luxemburgo (1871-1919), o Dia Internacional da Mulher chega ao seu centésimo aniversário. Defendendo ideais como igualdade de oportunidades para as mulheres no trabalho e na vida social e política, salário igual para trabalho igual, ajuda social para operárias e crianças e intensificação da luta pelo voto feminino, o maior problema da data na atualidade é não permitir a sua banalização.

Ainda hoje as mulheres recebem salário 70% menores que os dos homens quando desempenham funções iguais.

Mesmo depois da Lei Maria da Penha e das campanhas de conscientização a violência contra as mulheres mantém índices altos, mostrando que a sociedade brasileira ainda é machista e patriarcal.

Mulheres negras ganham menos e também são mais vítimas da violência doméstica do que as mulheres brancas.

Ainda há muito a conquistar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Wanderley Guilherme dos Santos e a Casa de Rui Barbosa.


Saudações.
Penso que saiu pela culatra a tentativa conservadora de impedir um espectro marxista no Minc.

O ódio da direita contra Emir Sader não é novidade. Ela nunca tolerou suas críticas ao 'pensamento único' emburrecedor do neoliberalismo. Ela também nunca aceitou o papel ativo do intelectual, que não se enfurna na academia e procura transformar suas reflexões críticas em ação política transformadora. Mesmo com ressalvas a vários limites do governo Lula, o sociólogo teve papel destacado na mobilização da intelectualidade para evitar o retrocesso demotucano no país. A mídia nunca o perdoou.
A Casa de Rui Barbosa, fundação subordinada ao Ministério da Cultura que Wanderley irá assumir, tem por finalidade "promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística, bem como congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira". Logo, a substituição de Emir Sader pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, um intelectual que também critica e denuncia o pensamento único conservador com a mesma convicção que Sader, soou como uma reviravolta digna das grandes partidas de xadrez.
Wanderley Guilherme dos Santos é pesquisador da Universidade Cândido Mendes, no Rio, e doutor em Ciência Política pela Stanford University, com pós-doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Notabilizou-se a partir do texto "Quem Vai Dar o Golpe no Brasil" – que prenunciou a derrubada do presidente Goulart em 1964 e se tornou referência bibliográfica nos meios acadêmicos.
Algumas das obras de autoria de Santos são "Décadas de espanto e uma apologia democrática", "Roteiro bibliográfico do pensamento político-social brasileiro", "O ex-leviatã brasileiro: do voto disperso ao clientelismo concentrado", "Paradoxos do liberalismo: teoria e história, "Horizonte do desejo – instabilidade, fracasso coletivo e inércia social" e "O cálculo do conflito: estabilidade e crise na política brasileira". É também autor de centenas de artigos publicados nos mais variados veículos de comunicação.


E agora, José?