sábado, 25 de setembro de 2010

O que representa esta derrota da direita - Emir Sader.

O que representa esta derrota da direita.
por Emir Sader.

A direita tinha sido vitoriosa ao longo da história brasileira, desde 1964.
Nesse momento interrompeu um governo que democratizava o país do ponto de vista econômico, social e político, incentivava a consciência nacional e a identidade cultural brasileira, para instaurar uma ditadura militar, que promoveu o maior processo de concentração de renda que o Brasil já tinha conhecido.

Esgotada a ditadura, a direita conseguiu limitar os alcances da democratização, que reinstaurou um regime político liberal, mas sem afetar os pilares das relações de poder no Brasil:

não foi democratizada a posse da terra,

o poder dos bancos,

das grandes corporações,

da mídia.

Esgotado também o impulso democratizador, durante o governo Sarney, foi implementado o modelo neoliberal, primeiro com Collor e depois, diante da queda deste, no governo Itamar, com FHC.
Nova e grande vitória da direita, ainda mais que conseguiu que algum proveniente da oposição à ditadura se responsabilizasse por impor esse modelo – que caracteriza a direita no mundo contemporâneo.

O triunfo de Lula, caso este tivesse sido cooptado e mantido o modelo herdado de FHC, teria sido também outra vitória, indireta, com a mão do gato, para a direita. Se a versão da ultra esquerda tivesse sido certa, o Lula teria revigorado o neoliberalismo, dando-lhe umas mãos de cal de políticas assistencialistas e controlando o movimento popular. Teria sido o melhor administrador do neoliberalismo.

Mas a realidade não foi essa.

O modelo foi readequado, o Estado retomou sua função de indutor do crescimento econômico, que foi recolocado em pauta, depois de ter sido abolido pelo governo FHC. Instaurou-se ao longo do mandato do Lula um modelo de desenvolvimento econômico e social, alterando,
pela primeira na história brasileira,
a desigualdade social – e de forma significativa.

A política externa assumiu a soberania nacional como principio fundamental, deslocou o eixo das alianças do norte para o Sul do mundo, privilegiando em particular os processos de integração regional e contribuindo para a construção de um mundo multipolar.

A direita conseguiu sobreviver com o governo Lula, seus interesses não foram profundamente afetados, mas perderam o manejo direto do Estado, das estatais, a promiscuidade com a presidência e viram, ao contrário dos seus gostos, o Estado utilizar recursos para políticas sociais, desenvolver relações de fraternidade política com países vizinhos, limitar o espaço do mercado, amplamente estendido na década anterior.

A direita econômica prefere o Serra, mas sem o extremismo da direita política. De qualquer forma, ambas serão derrotadas com a vitória da Dilma e de um projeto nacional, de uma sociedade de inclusão, de um governo para todos. Estavam acostumados a se valer do Estado a seu bel prazer para seus próprios interesses.

A direita partidária e midiática – hoje confundida – é a maior derrotada.

Perdeu capacidade de influência, sai com os seus partidos e seus órgãos da imprensa reduzidos à sua mínima expressão. Ainda mais que, os órgãos da mídia, depois do ano de Copa do Mundo e de eleições e da nova crise de legitimidade destas eleições, depois da descida para a metade da tiragem em uma década, devem ter outra queda grave, com a conseqüente crise financeira.

Os partidos opositores sofrerão uma grande crise de identidade, devendo se diferenciar entre os negociadores – tipo Aécio – e os extremistas, como o DEM e políticos remanescentes como Tasso Jereissatti, deslocados pela derrota e pelo sucesso do governo Lula.

Sofrem este ano a maior derrota política em décadas, com perspectiva de um lento e prolongado processo de recomposição, que ainda não parece delinear o perfil novo que venham a assumir.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Carlos Lamarca - Capitão e Guerrilheiro.

Saudações.
17 de setembro de 1971.
Após dias de caçada humana no sertão baiano, a repressão encurrala e executa a sangue-frio em Ipupiara o capitão-guerrilheiro Carlos Lamarca.
Na mesma ação, José Campos Barreto, também militante do MR-8, foi abatido.
Lamarca, que havia aderido à luta contra a ditadura militar, era capitão do Exército. Deixou o quartel de Quitauna, em São Paulo, levando consigo um considerável estoque de armas e munições, no dia 24 de janeiro de 1969. Militar competente e exímio atirador, logo tornou-se uma verdadeira lenda da luta armada, e um dos adversários mais temidos pelas Forças Armadas e pela ditadura. Lamarca deu as costas aos militares e à repressão anti-democrática, anti-nacional e anti-popular da ditadura de 1964. Foi um dos dirigentes da luta contra estes militares e seu governo fascista. Mais do que isto - e este é outro "crime" imperdoável para a direita: ele tinha inscrito, em sua bandeira, a palavra de ordem da luta pelo socialismo. A direita distorce a verdade para tentar passar a imagem, que a ditadura difundiu, de que se trata de um "terrorista" que teria sido morto em combate. Não foi: como inúmeros outros heróis do povo brasileiro, Lamarca pagou com a vida a ousadia de sonhar com um futuro de progresso, liberdade e soberania nacional. Foi, ele sim, assassinado; foi baleado friamente por seus perseguidores ao ser surpreendido sem condições de se defender, fugia a pé, mal armado, exausto, doente e faminto, quando foi encontrado descansando sob um arbusto, no município de Pintada, no sertão baiano. Ele e seu companheiro José Campos Barreto (Zequinha), foram friamente mortos a tiro.
Por isso, neste dia 17 de setembro, prestamos nossa homenagem ao capitão Carlos Lamarca e à Liberdade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MPF emite parecer acusando TV Globo e Clube dos 13 de prática de cartel

O Ministério Público Federal (MPF) foi consultado pelo Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e emitiu parecer contra o Clube dos 13 e a TV Globo. O órgão público entende que as partes praticam o cartel na negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

O processo já tramita no Cade desde 1997 e cita até o SBT, que não entrou na briga pelos direitos de TV nas duas últimas negociações trienais. Com o parecer do MPF desta quarta, o Cade pode recolocar o assunto em sua pauta. Até o fim do ano, o órgão pode definir uma pena para a Globo ou o Clube dos 13.

A reportagem procurou o Clube dos 13 e a Rede Globo. A entidade esportiva não quis comentar o caso, enquanto a emissora, por meio da Central Globo de Comunicação, argumentou que "não se manifesta sobre processos em andamento".

O grande ponto questionável, segundo o MPF, é a cláusula de preferência da Rede Globo, que tem sempre o direito de igualar a proposta das rivais. Segundo Marcus da Penha, procurador regional da República e representante do MPF no Cade, o sistema não é legal.

“A prática teve efeitos anticompetitivos. O Clube dos 13 e a Globo limitaram e prejudicaram a livre concorrência ao usar a cláusula de preferência”, disse o procurador, em nota divulgada no site oficial do MPF.

Desde que o processo foi iniciado no Cade, outras empresas também reclamaram do sistema. A Record, por exemplo, abandonou a negociação de 2008 por entender que o C13 dava preferência à Globo, fato negado pela entidade.

A próxima negociação de direitos de TV do Campeonato Brasileiro está marcada para o primeiro semestre de 2011, quando serão acertados contratos dos próximos três anos. Em entrevista ao UOL Esporte, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, adiantou que não quer que a Globo mantenha a exclusividade nos contratos.

Além disso, o dirigente disse que pretende dividir as propriedades de negociação do torneio. Dessa forma, diferentes emissoras poderiam comprar os direitos de TV aberta, TV fechada, pay-per-view, celular, internet, etc. Essa é outra crítica do MPF. Segundo o órgão, os direitos têm de ser negociados em três produtos diferentes, o que não acontecia quando a ação entrou em trâmite no Cade.

FONTE : UOL ESPORTE

sábado, 11 de setembro de 2010

O desespero demo-tucano - por Hellraiser.


Saudações.
Antes de tudo quero deixar bem claro que
esta postagem de hoje só expressa
única e exclusivamente a minha
- HELLRAISER -
opinião sobre os fatos recentes.

Nem os responsáveis pelo TALO DA BRABERA,
nem os demais colaboradores podem, portanto,
ser cobrado por esse conteúdo.

Opiniões (favoráveis ou não)
encaminhem para mim.
Obrigado.

Muito se tem dito sobre a possibilidade de um novo governo que transforme de modo mais rápido e efetivo (pra melhor) a realidade brasileira.
Sim. Também penso que as mudanças poderiam ter ocorrido mais rápido. Mas não me esqueço que antes essas mesmas lentas e graduais mudanças nem sequer eram cogitadas.
E um povo miserável não pode esperar.

A política neo-liberal demo-tucana,
baseada nas privatizações e no descaso do Estado principalmente com as necessidades sociais de um povo que marchava velozmente pra baixo da linha da pobreza, não pode voltar!

Posso entender quem prefere outra opção de esquerda
- uma mais radical, outra mais revolucionária -,
e até compreendo quem entende que o sistema está errado e nunca vai mudar e, portanto, prefere não participar.
Acho todas essas opiniões válidas e conscientes.
Mas assistir ao desespero de um candidato prestes a ser derrotado chega a ser patético.

Dossiês aos montes - mas onde estão que não são publicados?
(lembrem-se que até os documentos dos EUA no Iraque já vazaram..)

Denúncias às dezenas - mas e as provas?
(não seria - no mínimo - falta de ética acusar sem tê-las?)

A mesma mídia que cria as manchetes aludindo aos temas
não se preocupa em checar tais denúncias.
Por que?

Será que a manchete vende mais do que a notícia?
Resposta: sim.

Será que à mídia interessa a desinformação?
Resposta: sim.

Será que a mídia tem interesses num possível segundo-turno
(ou ainda, num tão sonhado governo Serra)?
Resposta: me parece que sim.

Então, se você - como eu - estiver estarrecido
com a quantidade de denúncias e acusações
faça um favor a você mesmo e procure saber
quantas denúncias têm fundamento e
quantas são meras especulações,
nuvens de fumaça para encobrir o que realmente importa:
a opção do brasileiro por um modelo político
muito diferente do demo-tucano.

Obs.: só pra constar, compartilho aqui a notícia veiculada hoje,
11 de setembro de 2010,
na página do Correio do Estado:
"Brasil está próximo do menor nível de desigualdade desde 1960"

(Hellraiser)